sexta-feira, 21 de abril de 2017

ao cair no dia






entrego-te o mais simples de mim - este meu corpo cansado, nu, indefeso. 
toda eu frágil. 
frágil.










quarta-feira, 19 de abril de 2017

memórias de pele







o dia amanheceu ventoso e morno. as gaivotas planam tão rente a mim, parada, a assistir ao nascer do dia, que quase me tocam. prendo o cabelo no cimo da cabeça para sentir o corpo invisível do ar a passear pelo meu pescoço, pelos ombros. 
fecho os olhos, inspiro e penso nele. ele não está. nunca estará, mas trago-o tatuado do lado de dentro da pele.









segunda-feira, 17 de abril de 2017

nada









todos os dias senti-te como se fosse o último. 
tenho vivido de mudas despedidas e não cheguei a viver-te, de tanto me despedir.
entristeço-mo nas minhas mãos vazias.










domingo, 16 de abril de 2017

fundo










quanto mais me procuro dentro de mim, mais te encontro a ti










i need you

sexta-feira, 14 de abril de 2017

à leitora que se procura no meu desatino






procuro, em vão, um poema que fale deste meu sentir por ele.
procuro nas palavras dos outros, corpo para este querer. e não encontro.
nada leio sobre a pele que tem memórias nunca antes tocadas, nem de esperas calmas, que queimam por dentro. e queria eu escrever isto de forma simples mas fico-me pela incompreensão de mim, num tempo sem registos e numa distância que se ri das unidades de medida.
quem me possa ler, não me entende.
eu, que me escrevo, não encontro o caminho, no caminho não o encontro, não entendo a espera e nem assim desespero.
a verdade, leitora que se procura no meu desatino, é que o que procuro nele, está dentro de mim e não encontro. fico, por isso, presa na espera dele, como se por mim, eu mesma esperasse. 








irracional







eu não sei se é ele que chega, se sou eu que o procuro.
sei que me acolhe na curva do seu braço e que perco a minha perna no meio das suas.
sussurra-me ao ouvido confidências da minha alma, e adivinha todos os arrepios do meu corpo, e brinca com eles.
não sei quando parte. sei que às vezes faz frio e sei que fico e que espero e que isso não depende da minha vontade.