domingo, 19 de novembro de 2017

céu azul árido










a feiticeira cedeu ao meu pedido e ofereceu-me um lugar de onde me era possível olhar para dentro da vida dele.
deixei de sentir com o coração para dar espaço à razão.
então nasceu para mim, uma nova medida de distância, uma pele sem poros, um olhar sem mar.











terça-feira, 14 de novembro de 2017

cubro-me






encontro-me ao espelho
gelei
estive nua tempo demais







segunda-feira, 6 de novembro de 2017

dual









quando o dia acalma, eu penso nele. como seria a vida sem ele, como seria a vida com ele. e vivo neste tendo, não tendo. e vivo neste não esperar, esperançando.








domingo, 5 de novembro de 2017

cheganças








tem dias em que ele chega e tem dias em que chego eu. tem dias em que nos chegamos. então, de uma forma de estarmos chegados um ao outro que nem precisa que nos cheguemos, ele desperta desejos em mim, em lugares onde apenas ele chega. e eu fico-me assim, como se eu não me chegasse.







sexta-feira, 3 de novembro de 2017

conta-letras









à distância de um braço esticado, do meu corpo deitado na cama, tenho vários pares de óculos. todos eles aleijados, torcidos, desasados. mas estes que trago, agora que te leio, têm uma lente partida. são os que melhor me servem, quando te recebo a conta-letras. todas as palavras feitas para entristecer, escorrem, no seu trajecto descendente, por aquela fissura no vidro, e caem, insensíveis, feitas água, na pele nua que disfarça a carne, o sangue, a seiva, o ritmo descompassado da vida que lateja. sem que o saibas.











quinta-feira, 2 de novembro de 2017

nada









peço à feiticeira que me torne a colocar no lado de dentro da minha vida
- que vês?
- não vejo
- que sentes?
- cansaço











sábado, 28 de outubro de 2017

nada







a feiticeira coloca-me do lado de fora da minha vida 
- que vês?
- eu vejo que ele chega e que ele parte
- que vês?
- nada