terça-feira, 27 de setembro de 2016

desaparecendo











trago o peito tão cheio de palavras para ti. palavras que não têm como verterem-se, pelos dedos, no papel.
trago os dedos tão sem tempo para palavras de alívio.
trago os olhos tão cheios de desnecessário.
não sei se o que está escrito, existe, porque os dedos escrevem, se pelos olhos que lêem, se pelo peito que expele.
não sei onde te situo em mim se eu não habito em ti.
tudo isto são palavras fracas, frouxas, inconsistentes.
como isto de ser só eu em nós.
um dia, estas palavras serão nada.










segunda-feira, 26 de setembro de 2016

não, nem me lembro de ti







Yo no te recuerdo,
te acumulo
te atesoro.















domingo, 25 de setembro de 2016

esperança











as tuas palavras têm o som de gotas de água. 
e hoje chove tanto...
como poderei esquecer-me de ti agora que o inverno se aproxima?
como poderei esquecer-me de ti quando se aproximar o verão, se tu és luz e azul?

[mas olha, esta manhã entrei em duas livrarias e nem pensei em ti. talvez haja esperança para a minha sanidade sentimental.]











sábado, 24 de setembro de 2016

mudarei de terra para poder sentir










saudades de ser estrangeira e poder verter dos olhos no rio a falta de ti, sem que me estranhem.









sexta-feira, 23 de setembro de 2016

um e outro














pode-se dizer que eles chegaram à vida dela de mão dada. não em simultâneo, mas um entregou-lhe o outro, apontou-lho.
não, não se conhecem, o um e o outro, mas andam a par, e a par entraram na vida dela, como dançarinos de roda, com ela no meio. então, o que ela perguntava a um, o outro respondia, o que um lhe mostrava, o outro completava, quando um não estava, o outro desaparecia, e quando um chegava, o outro saudava-a. um escrevia e o outro mandava-lhe os poemas que o outro criara.
por longo tempo ela pensou serem, um e outro a mesma pessoa, tantas eram as coincidências. só bem mais tarde, quando na presença de um, recebia mensagens de outro, é que se convenceu que eram dois que, sem o saberem, viviam a par. um trouxe-lhe poesia, música, conhecimento, sensualidade. o outro, trouxe-lhe espiritualidade, questionamento, crescimento. 
ela encantou-se e desencantou-se e reencantou-se por um e por outro, a par. até que um dia, no mesmo dia, de um e de outro, gestos diferentes com sentidos sinónimos, afastou-se. 
um e outro, na mesma altura chegaram na sua vida, e um e outro, precisamente no mesmo momento saíram da sua vida. um, ela não sabe porquê, o outro, ela deu-lhe o porquê.
um e outro não sabem, mas vivem a par com distâncias entre eles, de muitas medidas.
quantas vezes ela se abeirou de perguntar ao um, o porquê de lhe trazer o outro para a sua vida, mas a vertigem do precipício travou-a.
caiu do inverso, do que calou.











terça-feira, 20 de setembro de 2016







van gogh







sexta-feira, 16 de setembro de 2016

vem














Vem. 
Vamos contrariar os oráculos. O tarot, as runas, os búzios, o baralho cigano, o exu e a pomba gira.  Vamos contrariar os astros, o carma e os desígnios divinos. 
Todos dizem que não virás.
Vem.