sábado, 25 de março de 2017

falta







só percebi como o trazia em mim, quando ao partir, fiquei com o corpo em carne viva.









quinta-feira, 23 de março de 2017

bastos nadas








dizem que é aos poucos que morre um amor.
mas basta um gesto, uma palavra, um silêncio.
basta o sonho, basta o acordar dele.
basta a ilusão, a desilusão.
basta o nada.
o nada.
nada.










domingo, 19 de março de 2017

há vinte anos










sinto o sexo túrgido dele, enquanto me abraça. aceito o abraço e tento criar um espaço que não existe entre os nossos corpos para me livrar daquele desconforto, daquela repulsa.
há vinte anos que ele é apaixonado por mim. há vinte anos que eu me esquivo, escudada pelo casamento dele. há vinte anos que sei que a um sinal meu ele largaria a sua família equilibrada e tradicional.
há vinte anos que aquele homem defende-me acerrimamente de todas injustiças, e há vinte anos que o rejeito. 










sexta-feira, 17 de março de 2017

não partirás










não precisarei nunca de esquecer o teu rosto, o sussurro quente da tua voz na minha nuca, o toque da tua pele no meu corpo, o beijo húmido da tua boca, a tua mão pousada na minha, o riso, o riso, o riso.
nem o momento da partida me magoará.














quinta-feira, 16 de março de 2017

tempo









o corpo passeia-se num burburinho mudo. 
em cada grão de areia exposto ao sol, 
a cada vista de céu azul, 
a cada quebrar branco de onda do mar, 
a cada brisa de vento fresco. 
ele está em todo o lado. 
neste regresso solitário. 
nesta sala cheia de querer. 
neste tempo que se esgota.








segunda-feira, 13 de março de 2017

e depois?








a verdade, sabe, é que eu queria a oportunidade de poder não o amar. para poder seguir com a minha vida, percebe? todos os dias ensaio o pedido, todos, e só de saber que acederia, estremeço. é que eu vivo presa a um sonho e há dias que nem sei onde a realidade começa ou acaba. 










sábado, 11 de março de 2017

memória









retrocedo aos dias antes dele para saber como é a vida sem ele.