domingo, 16 de abril de 2017

fundo










quanto mais me procuro dentro de mim, mais te encontro a ti










i need you

sexta-feira, 14 de abril de 2017

à leitora que se procura no meu desatino






procuro, em vão, um poema que fale deste meu sentir por ele.
procuro nas palavras dos outros, corpo para este querer. e não encontro.
nada leio sobre a pele que tem memórias nunca antes tocadas, nem de esperas calmas, que queimam por dentro. e queria eu escrever isto de forma simples mas fico-me pela incompreensão de mim, num tempo sem registos e numa distância que se ri das unidades de medida.
quem me possa ler, não me entende.
eu, que me escrevo, não encontro o caminho, no caminho não o encontro, não entendo a espera e nem assim desespero.
a verdade, leitora que se procura no meu desatino, é que o que procuro nele, está dentro de mim e não encontro. fico, por isso, presa na espera dele, como se por mim, eu mesma esperasse. 








irracional







eu não sei se é ele que chega, se sou eu que o procuro.
sei que me acolhe na curva do seu braço e que perco a minha perna no meio das suas.
sussurra-me ao ouvido confidências da minha alma, e adivinha todos os arrepios do meu corpo, e brinca com eles.
não sei quando parte. sei que às vezes faz frio e sei que fico e que espero e que isso não depende da minha vontade.









sexta-feira, 7 de abril de 2017

ela








ela mostra-lhe o gostar dele de uma maneira mais bonita do que a minha. tem poemas e prosas e músicas e quadros e viagens e paisagens, e é linda. eu tenho as mãos e os olhos cansados de trabalhos, e o coração dentro de um gradeado. a ele, trago-o sempre num desejo de que a vida o ampare, de que não magoe ninguém, e que me deseje, também. ao final do dia, na tentativa desajeitada em transcender o espaço, encontro-o na forma que ele não sabe que existe, e cuido dele, conforme sei. ela está em tudo o que é belo. eu estou em tudo o que não se vê.







quarta-feira, 5 de abril de 2017

dança










é verdade, todos os dias eu penso que vai ser o último, que ele não voltará. assim como todos os dias me pergunto se alguma vez serei capaz de não regressar a ele. mas quando ele não volta, eu regresso, e ele recebe-me. eu acho que dançamos. é isso, dançamos.










segunda-feira, 3 de abril de 2017

partes de mim







às vezes ele, matreiro e infantil, distancia-se, e quando ele não está, parte de mim tenta adivinhar por onde ele andará, outra parte sabe-o desde sempre, outra parte tenta fingir que nem percebeu que ele está longe, e outra parte, espera, agradecida por ele estar na minha vida, porque tudo o que me vem dele é grande, embora pouco, embora longe, embora breve. 
com ele, eu vivo solta e fico presa, e parte de mim vai e outra parte fica e outra parte, cada vez mais pequena, espera.
no meio destas partes todas, eu disperso-me, e às vezes perco-me de mim, sem saber em qual das partes vivo. 
e a vida passa.