quarta-feira, 22 de agosto de 2018

sobre ele







mesmo quando, falando de outra, é de mim que eu falo, ele sabe que é sobre mim que falo

sobre ele







mesmo quando, não falando dele, é dele que eu falo, ele sabe que falo dele









segunda-feira, 13 de agosto de 2018

despega-se-me







é como se ele chegasse, esbatido, a cada esperança renovada, a cada ânsia de não perecer na asfixia da ausência.
mas depois, ele parte. 
está sempre a partir a cada dia que não chega.
e nunca chega.
e está sempre a partir.







terça-feira, 31 de julho de 2018

um






poderá um olhar resgatar anos de uma vida desencontrada?





sexta-feira, 15 de junho de 2018

chão









Seguro-me ao fio invisível que me liga a ele, à esperança de que em algum lugar a vida possa ter o perfume da água fresca em terra árida.







segunda-feira, 4 de junho de 2018

peças




então és tu....
por detrás desses óculos, e olho-te nesse modo aprumado de estares, casaco azul escuro, camisa azul clara, a cor do céu ao peito, o olhar que não pára, as mãos dadas uma na outra
tantas peças juntei e agora o puzzle completo não me conclui em nada







desarrumação







Nunca duvidei da minha capacidade imensa para esquecer. Brincava de construir castelos de esperança e fantasiava conversas e paisagens partilhadas, assim como as crianças criam amigos imaginários. Mergulhava em sonhos, como quem apanha as ondas do mar - submergia neles e emergia na realidade.
Mas tudo o que guardei dele foi no coração, em vez de deixar caído num qualquer recanto bafiento da mente. É que a mente esquece, mas o coração tatua.