sábado, 13 de maio de 2017

conto quatro pares de óculos na mesa de cabeceira para não perder uma mensagem tua









Uma porcaria de um mail da TomTom acordou-me às seis horas. É 20% de desconto que propõem não sei para o quê. Logo hoje que podia dormir até às sete. Pus os óculos para ler o que pensava ser a tua despedida. Ia responder-te 'dorme".
Nunca chegaste e no entanto todos os dias espero que partas. Todos os dias me despeço. Todos os dias aguardo. Todos os dias me habituo à tua ausência. Todos os dias lhe digo, a ela, que te conserve.
É extenuante viver o que não existe.













sexta-feira, 12 de maio de 2017

atarantada







ficar assustada com o efeito do seu bom dia











quinta-feira, 11 de maio de 2017

amar são duas mãos em concha








abertas
para quando ele chega
para quando ele parte








quarta-feira, 10 de maio de 2017

com o coração desfolhado









amar também é vê-lo dar a mão, a ela, e eu, abraçá-la de seguida








terça-feira, 9 de maio de 2017

e vê-lo ir







amar também é deixá-lo ir











domingo, 7 de maio de 2017

sobre nós









todas as manhãs de domingo acordo mais cedo para entrar sorrateiramente na cama dele. vou largando a roupa pelo chão, pois é nua que quero chegar. então, ele acolhe-me e as curvas dos nossos corpos adequam-se perfeitamente, ajustando as convexidades com as concavidades, separadas apenas pelo espaço de um suspiro da pele.  nas manhãs de domingo não gastamos palavras. numa cadência ondulada falamos a linguagem das mãos, os murmúrios dos poros. 
são de sal os nossos beijos, de água da maré baixa.











concêntrico











fui procurar o meu amor junto ao mar, sem perceber que o levava dentro de mim.