Uma porcaria de um mail da TomTom acordou-me às seis horas. É 20% de desconto que propõem não sei para o quê. Logo hoje que podia dormir até às sete. Pus os óculos para ler o que pensava ser a tua despedida. Ia responder-te 'dorme".
Nunca chegaste e no entanto todos os dias espero que partas. Todos os dias me despeço. Todos os dias aguardo. Todos os dias me habituo à tua ausência. Todos os dias lhe digo, a ela, que te conserve.
É extenuante viver o que não existe.
ficar assustada com o efeito do seu bom dia
abertas
para quando ele chega
para quando ele parte
amar também é vê-lo dar a mão, a ela, e eu, abraçá-la de seguida
amar também é deixá-lo ir
todas as manhãs de domingo acordo mais cedo para entrar sorrateiramente na cama dele. vou largando a roupa pelo chão, pois é nua que quero chegar. então, ele acolhe-me e as curvas dos nossos corpos adequam-se perfeitamente, ajustando as convexidades com as concavidades, separadas apenas pelo espaço de um suspiro da pele. nas manhãs de domingo não gastamos palavras. numa cadência ondulada falamos a linguagem das mãos, os murmúrios dos poros.
são de sal os nossos beijos, de água da maré baixa.
fui procurar o meu amor junto ao mar, sem perceber que o levava dentro de mim.